A arte de prestar atenção nas pequenas coisas

Você se lembra de quando era criança e o dia parecia enorme? Quando uma tarde podia durar uma eternidade? E uma viagem de carro parecia uma aventura interminável? Quando esperar pelo nosso próximo aniversário demorava séculos? Se lembra quando uma joaninha no jardim, uma formiga carregando uma folha ou uma nuvem engraçada eram motivos suficientes para interromper tudo só pra ficar observando?

Então nós crescemos. E, de repente, os dias criaram pernas e começaram a correr. Segunda-feira virou sexta. Janeiro foi ontem e amanhã já é Natal de novo. Pode ser que o tempo realmente esteja passando depressa. Mas também pode ser que a gente deixou de perceber as coisas acontecendo enquanto o tempo passa..

Quando o automático toma conta

Quando estamos muito ocupados, muitas das nossas ações acabam acontecendo no piloto automático. Fazemos o café enquanto planejamos a semana, tomamos banho tentando resolver o problema do trabalho, conversamos checando as notificações do celular, comemos vendo as notícias. Por fim, vamos dormir cansados, com a sensação de que fizemos muito, porém sem conseguir lembrar direito de nenhuma delas. É como se vivêssemos o dia sem realmente fazer parte dele.

Prestar atenção é uma escolha

Prestar atenção não significa meditar por 1 hora todos os dias, abandonar o celular ou transformar cada momento cotidiano em uma experiência espiritual. Significa apenas perceber e estar presente para as coisas que acontece com a gente. Perceber o cheiro do café, a temperatura da água, a textura da roupa, a luz que entra pela janela no fim da tarde, o som da chuva, a música tocando ao fundo, o riso das pessoas. Sentir como é bom colocar uma roupa confortável depois de um dia cansativo ou até mesmo a cama te abraçando quando você se deita para dormir. São coisas tão pequenas que parecem não merecer a nossa atenção, mas é justamente aí que mora o encanto.

A vida é feita de pequenas cenas

Nossa vida não é feita só dos grandes acontecimentos. Ela é feita, principalmente, dessas pequenas cenas que se repetem todos os dias. E é tão gostoso colecionar esses momentos na nossa memória. Quando prestamos atenção, um café deixa de ser apenas um café, uma caminhada deixa de ser apenas o caminho entre dois lugares. O cotidiano começa a ganhar cores, sons e texturas.

Uma pequena experiência

Há uma pergunta simples que você pode experimentar agorinha mesmo:
“O que está acontecendo agora que eu normalmente não perceberia?”

Pode ser qualquer coisa: uma sombra na parede, um passarinho, o cheiro da comida do vizinho, a risada de alguém na rua, uma sensação no corpo ou uma lembrança que veio sem motivo. Apenas respire fundo e observe. Você vai perceber que existe muito mais vida nas coisas comuns do que você imaginava.

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