Por que gostamos tanto de rituais?

Tem alguma coisa que você sempre faz do mesmo jeito? Sabe, tipo: passar um cafezinho para começar a trabalhar, ler um livro antes de dormir, ouvir determinada música para relaxar, acender uma vela enquanto escreve, arrumar a mesa antes de começar alguma coisa? Pode parecer que é só um hábito, mas existe uma diferença interessante entre um hábito e um ritual.

Hábito ou ritual?

Um hábito é algo que fazemos com frequência, muitas vezes quase sem pensar. Pode ser bom ou ruim. Um ritual, por outro lado, costuma carregar um pouco mais de intenção. Não é apenas o que fazemos, mas também o significado que damos àquilo que fazemos. 

Pense em um aniversário. Tecnicamente, soprar as velinhas não é necessário para que um novo ano de vida se inicie. Mas fazemos isso mesmo assim, não é? Reunimos as pessoas, cantamos parabéns, fazemos um pedido e apagamos as velas. É um gesto que ganhou um significado muito maior do que só “soprar as velinhas”. Ele se tornou um ritual, um pequeno marcador de passagem.

Pequenas ilhas dentro do dia

Vivemos em uma época em que estamos constantemente passando de uma coisa para a outra de forma automática: acorda – vai trabalhar – checa emails – vê as notificações – tarefas e mais tarefas – volta pra casa – família – janta – dorme.

Às vezes, não existe um momento claro de transição. Terminamos uma coisa e já começamos outra. Ou ainda: começamos outra no meio de algo que nem terminamos. Os rituais são uma forma de recuperar essas fronteiras. Eles podem sinalizar:

“Agora o dia começou”
“Agora vou parar”
“Agora é hora de criar”
“Agora é hora de descansar”
“Agora quero prestar atenção em mim”

Criar um ritual não precisa ser complicado

Um ritual pode ser tão simples quanto preparar uma bebida quente e não fazer mais nada enquanto a toma. Pode ser escrever 3 linhas no final do dia. Pode ser colocar uma música específica enquanto arruma a casa. Caminhar por 10 minutos depois do almoço. Abrir as janelas todas as manhãs. O mais importante não é a ação, é a intenção.

Que momentos merecem um ritual?

Talvez você precise de um pequeno ritual para começar seus projetos. Ou para terminar o expediente. Para cuidar da casa. Para descansar. Para celebrar pequenas conquistas. Para atravessar uma fase difícil. 

Não precisamos transformar todos os momentos da vida em algo especial, mas alguns momentos merecem ser marcados. Trocar de roupa para trabalhar home-office, por exemplo, é uma forma de falar para nós mesmos: “Agora estou no trabalho”. Quando repetimos um pequeno gesto com intenção, ele se torna uma espécie de linguagem que usamos conosco. É um jeito de dizer: “Agora eu paro”, “Agora eu começo”, “Isso é importante para mim”, “Eu mereço este momento”. 

A magia não está no ritual em si, e sim no significado que colocamos nele. 

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